Quem aprecia a culinária vegetariana, normalmente se depara com alguns absurdos meio indigestos. Dentre trocas de informações sobre receitas e dicas de uma alimentação mais saborosa e saudável, emergem manifestações exaltadas em defesa da vida, principalmente a dos animais. Como bióloga e amante da natureza, obviamente, essa preocupação me enche de alegria. Quem dera se todos tivessem essa consciência de que nós, humanos, não temos o direito de explorar e abusar de outros animais. No entanto, ao mesmo tempo em que me encho de júbilo, uma certa irritação irrompe acompanhando e até mesmo superando o contentamento.
Há um certo modismo, e creio que não seja recente, onde os adeptos se recusam a usar quaisquer artigos de origem animal, seja para fins alimentícios ou não. Ovos, leite, queijo, mel, artigos de couro, lã entre outros são vetados do consumo dos vegans. Toda essa recusa, em prol da ética e da defesa dos animais. Digo, de outros animais.
Acompanhando essa suposta ética, a falta TOTAL de informação e a ignorância (ato de quem ignora algo) sobre como funciona a natureza (desde os ecossistemas até o indivíduo) e de outros problemas que atingem o meio-ambiente, se destacam em discussões onde os produtos de origem animal são totalmente condenados, mas sequer são questionadas as monoculturas, principalmente a de soja, que por sinal é muito disseminada no meio vegetariano/vegan, ou padrões de consumo que afetam direta e indiretamente, não só os tão estimados animais (centenas de espécies e não só vacas e porcos), mas também, plantas, fungos e etc.
A soja, tão bem vista nesse meio por ser uma opção “ética” de proteína em detrimento da carne, é responsável pela perda de 80% do cerrado brasileiro e hoje ameaça a floresta amazônica, devido à… Continue lendo ‘O intrigante paradoxo vegano’


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