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Shakespere Visita Arruda na Prisão

José Roberto Arruda

“Na sede da Polícia Federal em Brasília. A porta da cela se abre e o guarda diz:

- Governador, tem uma pessoa chamada Wiliam querendo entrar.

- Wiliam? Wiliam de que?

- Ele diz que é William Shakespeare.

- Ahn? Deixa entrar..

(Alguns segundos depois…)

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Eu quero parabéns sim!

Estreando no blog hoje, finalmente mais uma alma feminina neste lugar. E hoje é o dia de todas as mulheres, até mesmo aquelas que se revoltam por acharem um tanto machista ter um dia especialmente dedicado a elas.

Pois o que eu tenho a dizer é que eu quero parabéns sim! Quero amor, abracinhos e até mesmo qualquer ato de solidariedade daqueles que decidirem se colocar no lugar de um ser humano que tem a vida pautada por dores (seja cólica, dor do parto ou depilação), inseguranças e muita sensibilidade.

Ser mulher é chorar à toa, amar demais, se preocupar demais com tudo e com todos (maldito instinto maternal!), sofrer com o peso, com a roupa, com o cabelo, com a unha… gastar dinheiro com tudo isso e ainda ser recriminada… Ser mulher é bom e ao mesmo tempo revoltante (fazer xixi em pé é um adianto, vai!), o tanto que lutamos por anos e anos pra ocuparmos espaço na sociedade para algumas frutas destruírem a reputação mais adiante.

E assim vivemos, caminhando, cantando e seguindo a canção, independente de credo ou opção sexual. Como diria o “sábio” Neguinho da Beija-Flor: “melhor que uma mulher, só 10 mulher… mulher, mulher, mulher” (e assim ele repete, 193 vezes, ok?!). Porque só uma mulher pra inspirar tamanho hino!

Obrigada pelo espaço, meninos… Volto em breve…

bjs

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No Céu, No Mar, Na Terra… Canta Fuzil!

Nos últimos dias, o tão afamado poder paralelo da cidade do Rio de Janeiro se superou em matéria de ousadia. Até o momento, não havíamos presenciado uma guerra do tráfico tão infiltrada no meio da classe média carioca.

Pouco tempo depois de o Rio ganhar a candidatura aos jogos olímpicos de 2016, protagonizamos cena de cinema nas favelas cariocas, com direito a helicóptero derrubado a tiros e tudo mais. Moradores das comunidades são obrigados a passar a madrugada na rua porque bandidos, de outra comunidade, diziam não poupar ninguém enquanto investiam para invadir e conquistar. A polícia, desmoralizada por ter um helicóptero abatido com armas que a própria polícia fornece aos traficantes, afirma com sangue nos olhos, que haverá retaliação.

Enquanto isso, o trabalhador se confunde entre balas perdidas, contas pra pagar e dar passagem para o caveirão passar. Se somarmos os estragos que as chuvas fortes vem causando, podemos concluir que o caos na cidade maravilhosa está no céu e na terra. Já que a “Puliça” Militar não passa credibilidade há muito, a Civil está com dor de cotovelo da Federal e reivindica salários iguais para desempenhar funções diferentes, e a Federal, ainda bem, não trata nada direto comigo. E agora, quem poderá nos ajudar? Será que o Chapolin aparece do México pra dar uma forcinha? Se bem, que com a uruca que paira sobre a cidade do Rio é capaz de ele retomar aquele pandemônio de gripe suína.

É Chapolin, deixa que a gente se vira… se não estivermos na mira.

Fabiano Albergaria

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Capítulo 3

De repente, num passo, o pé direito ficou mais leve que o esquerdo. Bem mais leve. E à medida que eu caminhava, um pé ficava mais leve que o outro. Até que os dois ficaram leves demais. Mas eu não voei, porque eu não sei voar. Pelo menos não com os pés. Ao contrário, eu caí exatamente no momento em que o corpo ficou tão leve quanto o pé esquerdo, que estava - naquele momento - mais leve que o direito.

Todo ser humano sofre. Na verdade, todo ser vivo sofre. Mas o ser humano sofre em dobro, porque inventou a palavra “sofrimento” para designar um negócio chamado sofrimento. O jovem indiano que apanha todo dia de seus colegas de escola e já foi vítima de todo o tipo de doença, a última delas a leucemia, sofre. Ou sofria. A menina quase rica que deseja trocar seu Fiat Punto por uma BMW e recebe um não de seu pai sofre. Eu sofro por meus motivos, que estão muito mais próximos da futilidade da menina do que da leucemia do pequeno indiano. Mas nós 3, em algum momento, tomamos consciência de que estamos sofrendo. E isso nos faz sofrer mais.

Um peixinho dourado, blasé, dentro de um aquário, por motivos desconhecidos, deve sofrer ao longo dos seus meses de vida. E quando sofre, dentro de seu sistema nervoso desconhecido, ele deve “pensar”: glub! E sua vida segue menos sofrida até que ele tenha um outro motivo desconhecido para sofrer e o resolva com um outro glub.

Há alguns poucos anos atrás ela deixou, acidentalmente, um cachecol verde jogado em cima da minha cama. Nunca mais voltou para buscá-lo. E eu nunca a avisei que o cachecol havia ficado em casa, mesmo depois de ter devolvido tudo mais dela que havia por aqui, acidentalmente. A única coisa não acidental nessa história toda foi o fato de eu não ter devolvido, até hoje, o bendito cachecol.

Há alguns meses a gente estava sem ver e sem se falar. A última vez que nos falamos não trazia boas lembranças, nem pra mim, nem pra ela, nem para as testemunhas. E num domingo acidental, tomando café da manhã na padaria, batendo um papo acidental com o Cido, o balconista, ela passou acidentalmente pela calçada, com um fone de ouvido e um sorriso daqueles que não são momentâneos. Um daqueles sorrisos de quem está feliz. Eu sou capaz de descrever exatamente cada peça de roupa que ela estava usando naquele momento, bem como seus óculos e seus brincos, só com a memória dos quatro ou cinco acidentais segundos sobre os quais ela desfilou sobre a calçada estreita da padaria. Mas prefiro não fazê-lo, para não despertar a consciência humana do sofrimento. Passei alguns segundos paralisado no banco, debruçado no balcão, tomando cada vez mais consciência da palavra sofrimento. Fui interrompido pelo Cido, que acidentalmente perguntava se eu queria mais um pingado, enquanto pingava água salgada no balcão.

O cachecol eu deixei guardado na última gaveta do meu armário, sob uma enorme pilha de roupas que eu não uso e nunca vou usar. Em alguns segundos, todas elas estavam jogadas no chão, enquanto o cachecol repousava sobre a minha mão, leve como o sofrimento. Talvez a maior besteira que eu tenha feito nos últimos anos foi tê-lo trazido para perto do nariz para saber se ainda conseguiria sentir o cheiro dela. Nesse momento eu desejei ser um pequeno indiano, apanhar todos os dias e sofrer de leucemia.

Um passo após o outro, cada vez mais leve. A minha consciência do sofrimento sugava todas as energias do meu corpo e fazia meu caminhar quase levantar vôo. Mas o peso na cabeça me impedia de sair do chão e me empurrava cada vez mais para baixo. Temia que meus pés fracos não sustentassem este peso. Num último esforço besta de tentar retomar a força do corpo e aliviar o peso da cabeça, eu pensei: Glub! E desabei, sem consciência de sofrimento nem de coisa alguma.

Penso que temos muito a aprender com os peixinhos.

Riccioppo

* Mais um ótimo conto gentilmente cedido por  Pseudomini.

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Granada

A vida é muito louca. Granada ia seguindo seu dia-a-dia sem dar conta do todo. É bem difícil dar-se conta do todo, requer um exercício diário, constante e persistente de reflexão, o que, hoje em dia, Granada diz ser uma prática em extinção. A vida de Granada é como um filme. Poderia até ser contada em flashs, tipo esses vídeos em stop-motion. A quantidade de acontecimentos ao seu redor, com pessoas próximas, ou não, é surpreendente. Um dia solteiro, outro casado… um dia hetero, outro viado… um dia ateu, outro crente… um dia frio, outro quente… estamos cercados de paradoxos e rimas. Ou melhor, somos paradoxais por essência, por alma. Cada vez mais Granada toma para ele a célebre frase: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante” e não é verdade? Imagine a chatice de ser sempre o mesmo, fazer as mesmas coisas, conhecer as mesmas pessoas durante 30 anos? durante uma vida? Ter discursos preparados e idéias intransigentemente arraigadas no âmago do ser de forma pouco inteligente.

E é por isso que sempre quando Granada se depara à uma situação nova, pensa com ele mesmo: “porque não?” e o engraçado é que essa pergunta quase sempre não tem resposta. Acho que já a fazemos só por desencargo de consciência pois sabemos que a resposta do tal porque não, não existe. O que existe somos nós, então… existamos! Experimentemos! Ousemos! Essa é a hora! Granada é jovem, saudável, estudado, viajado, culto, bem criado e alimentado. Alguns o são com leite com pêra, outros com Toddy mesmo, mas ta valendo! Granada faz parte de uma parcela da sociedade que deveria se sentir privilegiada e por esse motivo, a responsabilidade de fazer algo é dele! É sua, é minha… e agora? Cagou na latinha? Peidou? Vai amarelar? Pois é… não se sinta tão diferente dos demais, a maioria caga na latinha mesmo… Granada quer é fumar um, ligar o ipod depois de ler Nietzche e ir pra um bar na zona sul tomar uma cerveja gelada cercado de pessoas bonitas, jovens, saudáveis, estudados, viajados, cultos e bem criados. O que espanta Granada é tanto potencial junto pra nada… parece que sai tudo no mijo que a cerveja provoca.

Nesse texto não há novidades. Tudo aqui descrito tenho certeza de que já era de seu conhecimento… afinal essa gente bonita, estudada, viajada etc, etc, etc… sabe muito bem que tem potencial e que pode fazer algo. Não tem ninguém desavisado… quantas idéias geniais Granada já não teve em uma mesa de bar? Acho que se fizesse uma promessa pra ele mesmo de cumprir pelo menos uma… lógico que Granada se refere à algo ligado à cultura, à arte, à criatividade e inovação. E sabe porque se refere à isso? Porque sabe que temos capacidade, sabe que podemos fazer muito mais e fazer bem! Nem é uma crítica, mas Granada tem culpa no cartório (quem não tem?) e além do mais essa “inércia” é reflexo da nossa cultura, da nossa história… e aqui está mais um paradoxo: o brasileiro é pacífico embora seja banhado pelo atlântico. É uma coisa muito louca esse negócio de existir. Mas Granada ta bem, vai levando… até explodir.

Fabiano Albergaria

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Capítulo 2

Mamãe tem o estranho costume de me chamar de egoísta. É algo que eu ouço desde o início da minha adolescência, época que minha memória consegue alcançar com certa clareza. Durante anos esta crítica não me fazia mal nenhum, mesmo ganhando um coro de mais vozes, além da sagrada voz materna. Mas ultimamente é algo que me tem feito parar para pensar um pouquinho. Eu considero o egoísmo uma característica natural da espécie humana, variando em intensidade entre uns e outros. Mas todos somos egoístas.

E foi do alto de todo o meu egoísmo que eu disse algumas frases que a deixaram assustada, logo quando nos conhecemos. Pra mim, o maior filósofo, pensador, didata que eu conheço sou eu. Reconheço: é algo forte de ser dito e soa extremamente prepotente aos ouvidos desavisados.

Eu tive a sorte de ter acesso ao trabalho de pensadores interessantes, de filósofos (pensadores etiquetados) relevantes e de professores instigantes. E do alto de todo o meu altruísmo, digo com convicção que grande parte deles teve uma participação importantíssima na construção de minhas convicções. Acontece que o que tem valor de fato não é o que eles escrevem ou lecionam, mas sim a minha compreensão disto. Na verdade, a minha, a sua, a deles. No meu caso, minha. Egoísta, não?!

Ela não conseguiu entender o que pra mim é muito simples. Num bar, em certa ocasião, após umas, outras e mais outras, conversávamos sobre identificação. Tentávamos entender os porquês de nos identificarmos com certas coisas e não com outras. Porque adoramos certa música e odiamos outra. Porque preferimos o conceito de Fulano sobre o destino ao conceito de Cicrano. Porque acreditamos em Deus do pai nosso ou num deus só nosso. E o mais importante disto tudo: Por que eu adoro azul e você lilás? Eu tenho uma boa hipótese sobre isto e não foi nenhum filósofo/pensador/professor/filme/música/passarinho que me disse. Não explicitamente. A explicação é simples: Nos identificamos com aquilo que nos soa familiar.

Ah, mas aí é mole. Nos identificamos com nossas mulheres porque elas têm características em comum com nossas mães. Isto é manjado. Freud explica.

Ok, mas por que nos identificamos tanto com aquela frase muito breve dita por aquele ator naquele filme que mudou nossa vida e nossa maneira de pensar e nos fez pensar: Porra! Como é que eu nunca pensei nisso antes? Na verdade, já pensei nisso antes, mas nunca havia me dado conta disto. Talvez tenha pensado há 2 anos, há 10 anos, 2 minutos antes de nascer ou quando eu era uma artesã em uma cidadezinha na região que hoje é conhecida por Praga. Vai saber. Mas eu me identifico porque isto está na minha memória, na minha genética, nos meus registros, no meu banco de dados, no meu arquivo pessoal. Chame como quiser.

E o mais intrigante é que talvez esta minha explicação sobre identificação não faça o menor sentido para você, assim como não fez para ela naquela mesa de bar. Mas acredito que isto aconteça porque isto não está na sua memória, genética, no seu registro etc etc etc… E mesmo que você não gaste um segundo do seu pensamento para tentar entendê-la, talvez ela faça todo o sentido para você e para ela se eu repeti-la daqui a 2 ou 10 anos. Talvez daqui a 2 minutos. O importante é que eu deixei o meu conceito no seu registro. Sou egoísta como os filósofos.

Gostaria, mais do que tudo, de ter a oportunidade de dizê-la novamente, exatamente com as mesmas palavras, tudo o que eu penso sobre identificação e ver se desta vez ela entenderia. E ouvi-la dizer, mais uma vez, Você é um grande egoísta, de uma forma tênue e carinhosa, como só mamãe saberia dizer.

Riccioppo

* Riccioppo gosta de Michael Jackson, Baia, de estudar e de batata. Além disso, escreve o blog PSEUDOMINI. Vale a visita!

Meio Intelectual, Meio de Esquerda.

Bar Ruim é Lindo, Bicho!

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
“Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil.
Assim como não é qualquer bar ruim.
Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.
Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.
Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.
Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.
E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.
Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.
Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.
Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.
Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!
Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.
Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Antônio Prata

Blog do Antônio Prata

Que Há Teu no Natal?

Entre perus, castanhas, nozes e rabanadas há, também, aquele gosto meio amargo-melancólico das reuniões de fim de ano. Há a certeza da maioria que, um menino que nasceu fruto de uma inseminação artificial do espírito santo numa pobre mulher, seria a salvação de todos os tempos. Hoje, ainda, mais de 2000 anos depois, há muito desse fato no pouco conhecimento que maioria possui sobre as coisas. Um raciocínio que ruma grande parte dessas opiniões para algum lugar onde não se possa nem cogitar a dúvida dessa “veracidade” que o ser humano (ocidental) deva ter. A maioria, um conjunto, um grupo faz uma sociedade. E individualmente, o que há teu no natal? É permitido que haja uma discordância, algo em alguns que seja divergente da maioria? Paradoxalmente, sim e não. Pessoas podem expressar opiniões seguindo essa vertente contrária – a contra-mão da fé. Porém, aquele que expressa algo diferente da maioria, que profere opiniões democraticamente embasadas em outros fatos, não é bem visto. Simplesmente porque quebra o elo, porque tenta atribuir novas formas de pensamento ao paradigmático tema da origem da salvação do mundo. O “diferente”, de certa forma, é queimado na fogueira da credulidade daqueles que rogam a responsabilidade da incapacidade humana aos seres místicos salvadores. Compreensível, visto a desordem e violência vista a olhos nus nas grandes cidades do mundo. Se não podemos resolver tudo, Deus o fará. Repito: Compreensível. Mas é preciso que o respeito seja mútuo àqueles, que às suas maneiras, atribuem a responsabilidade humana ao humano. È menos covarde, porém mais doloroso de aceitar. Aqui se faz, aqui se paga, diz o ditado. Quanto a ti, tendo ou não tendo essa visão, é preciso que, ao menos, respeite o que há em mim e o que há teu no natal e no resto da vida.

Diogo Silveirinha

* Diogo Silveirinha é publicitário, amigo e ser pensante que escreve o blog Rasuras e Rascunhos.

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Carta Ao Pai Do Rock

Venho através desta carta, ressaltar a importância do rock and roll, para nós brasileiros.

Como falar do Rock and Roll? êxtase, frenesi, a pura e completa ligação com a liberdade, ou, pelo menos, a sensação dela. Solos de guitarra parecem superar toda a adrenalina de uma viagem supersônica enquanto ecoam nessa caixa acústica também conhecida como cabeça.

Uma das coisas mais roots do rock é uma gaita marcando presença e tirando o fôlego, tanto de quem toca, como de quem ouve. É o total teletransporte aos confins do rock and roll… é a presença da música com suas ondas sonoras a transpor nossos corpos fazendo com que sintamos toda a vibração da canção. Cansado? nunca… não se foram nem 20 músicas! pois é… quem sente o rock and roll com todas as células do corpo sempre quer mais e nunca é suficiente.

Sabemos o quanto a imagem do rock and roll sempre esteve ligada ao senhor. E isso é visto como algo negativo, evidentemente, porém, não temos como negar que ninguém manda melhor que sua alteza na hora do rock rolar sério, até porque seu sobrinho, Raul, enquanto esteve por aqui, já explanou que o senhor é o pai do rock e eu é que não discordo disso. Apenas fico meio indignado porque sua santidade esqueçeu o Brasil! Por Favor! olhe para nós… sem você aqui estão surgindo coisas tipo NXzero, Fresno, Calypso tocando junto com os Paralamas do Sucesso, o Rick Bonadio não possui mais escrúpulos e as bandas que realmente merecem, vivem à margem da cena musical, tida como underground, alternativa, lado b, cult e afins… tendo que, muitas vezes, acabar pois seus integrantes precisam de dinheiro para comprar maconha e whisky sustentar a família… o senhor entende né?! NÓS QUEREMOS É ROCK AND ROLL!!!

Fico pensando que talvez tenha se afastado pelo fato de quase todos os cinemas terem virado igrejas, mas não liga não… sei que eles gritam bem, mas podemos aumentar o volume dos nossos amplificadores também e chamar o DIO pra ficar no vocal, o que acha? tudo bem que o pessoal aqui tem uma implicância contigo e tudo que fazemos de merda e não temos coragem de admitir colocamos a culpa no capeta! digo, em você. Só que ninguém entende que o que você realmente quer não é fazer o mal e sim fazer um som! sabe porque descobri isso? talvez fosse mais fácil deixarmos cada um cuidando da parte que lhe diz respeito: você do rock e nós da maldade, porque o contrário não está dando certo. Assim seria mais fácil de começar a resolvermos os problemas… é só uma sugestão…entendo que esteja magoado… não chora… levanta esse chifre, vai… engole o choro! que vergonha, um Demônio desse tamanho! que coisa feia…

Fabiano Albergaria

Raul Seixas - Rock do Diabo

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A Etnia da Mulher Melancia

steatopygia1 A Etnia da Mulher Melanciamulher melancia foto antena A Etnia da Mulher MelanciaÉ isso aí andarilhos, nós do Estrada de Maria após um exaustivo e perigoso trabalho de investigação conseguimos coletar dados suficientes para afirmar com toda a certeza de que a Mulher Melancia é uma descendente direta da tribo Khoisan, do sudoeste da África, onde é comum encontrar nativas que desenvolveram uma doença chamada esteatopigia (a da Mulher Melancia), que nada mais é do que o acúmulo de gordura na região glútea causando assim uma hipertrofia anal animal da região e apesar de dificultar a locomoção isso sempre foi tido como fruto de atração sexual. Querem saber mais uma curiosidade? houve uma Khoisan em especial que foi a responsável por difundir o rabalhaço a fama de que toda mulher Khoisan era dona de um pandeiro de respeito. Seu nome era Saartjie Baartman. Era empregada de fazendeiros holandeses até Hendrick Cezar, irmão do patrão dela, sugerir que ela se exibisse na Inglaterra, prometendo a deixar rica. Era permitido tocar em suas nádegas, mediante um pagamento extra (e aí, melancia? tem desenrolo?). E não fica por aí, as mulheres Khoisan também tinham como característica possuir imensos lábios vaginais “cortina da vergonha” como o chamavam, pois chegavam até 10 cm e enquanto a mulher permanecia de pé parecia uma cortina de pele, putz! (dizem que eles usaram o photoshop pra retirar a… “cortina da vergonha” da mulher melancia na playboy). Sendo que Baartman terminou sua carreira de puta no circo sendo adestrada por um treinador de animais, é… talvez a semelhança com o  MC Créu e os palcos da Furacão 2000 não sejam mera coincidência.

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