A vida é muito louca. Granada ia seguindo seu dia-a-dia sem dar conta do todo. É bem difícil dar-se conta do todo, requer um exercício diário, constante e persistente de reflexão, o que, hoje em dia, Granada diz ser uma prática em extinção. A vida de Granada é como um filme. Poderia até ser contada em flashs, tipo esses vídeos em stop-motion. A quantidade de acontecimentos ao seu redor, com pessoas próximas, ou não, é surpreendente. Um dia solteiro, outro casado… um dia hetero, outro viado… um dia ateu, outro crente… um dia frio, outro quente… estamos cercados de paradoxos e rimas. Ou melhor, somos paradoxais por essência, por alma. Cada vez mais Granada toma para ele a célebre frase: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante” e não é verdade? Imagine a chatice de ser sempre o mesmo, fazer as mesmas coisas, conhecer as mesmas pessoas durante 30 anos? durante uma vida? Ter discursos preparados e idéias intransigentemente arraigadas no âmago do ser de forma pouco inteligente.
E é por isso que sempre quando Granada se depara à uma situação nova, pensa com ele mesmo: “porque não?” e o engraçado é que essa pergunta quase sempre não tem resposta. Acho que já a fazemos só por desencargo de consciência pois sabemos que a resposta do tal porque não, não existe. O que existe somos nós, então… existamos! Experimentemos! Ousemos! Essa é a hora! Granada é jovem, saudável, estudado, viajado, culto, bem criado e alimentado. Alguns o são com leite com pêra, outros com Toddy mesmo, mas ta valendo! Granada faz parte de uma parcela da sociedade que deveria se sentir privilegiada e por esse motivo, a responsabilidade de fazer algo é dele! É sua, é minha… e agora? Cagou na latinha? Peidou? Vai amarelar? Pois é… não se sinta tão diferente dos demais, a maioria caga na latinha mesmo… Granada quer é fumar um, ligar o ipod depois de ler Nietzche e ir pra um bar na zona sul tomar uma cerveja gelada cercado de pessoas bonitas, jovens, saudáveis, estudados, viajados, cultos e bem criados. O que espanta Granada é tanto potencial junto pra nada… parece que sai tudo no mijo que a cerveja provoca.
Nesse texto não há novidades. Tudo aqui descrito tenho certeza de que já era de seu conhecimento… afinal essa gente bonita, estudada, viajada etc, etc, etc… sabe muito bem que tem potencial e que pode fazer algo. Não tem ninguém desavisado… quantas idéias geniais Granada já não teve em uma mesa de bar? Acho que se fizesse uma promessa pra ele mesmo de cumprir pelo menos uma… lógico que Granada se refere à algo ligado à cultura, à arte, à criatividade e inovação. E sabe porque se refere à isso? Porque sabe que temos capacidade, sabe que podemos fazer muito mais e fazer bem! Nem é uma crítica, mas Granada tem culpa no cartório (quem não tem?) e além do mais essa “inércia” é reflexo da nossa cultura, da nossa história… e aqui está mais um paradoxo: o brasileiro é pacífico embora seja banhado pelo atlântico. É uma coisa muito louca esse negócio de existir. Mas Granada ta bem, vai levando… até explodir.


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