Um ser errante sem intenção de errar. Acho isso bonito. Errar um erro desimportante, um erro que seja só seu, que só atinja a si, um erro descrente, inocente, sem amém, sem além, um erro sem perdão. Porque não haverá quem o crive, pois não será notado, o erro será só seu, sem intenção. Um daltônico na mesa de bilhar. Ser um ser que não espera, nem o pior nem o melhor. Simplesmente um ser que não espera. Ser imperativo, hiper-ativo. Faça, diga, bata, tente, seja…Um Zé qualquer que não acredita que a dama de copas surja como mágica no baralho da cartomante. Um João amigo do Zé que critica a vã manifestação de fé. Que põe as cartas do seu próprio jogo e joga só por jogar, pois esse João ou Zé, erra, não espera, ele é. Não quer chamar atenção e nem dá atenção para o tipo de gente que o faz. Ele furta dos autores dos livros que ele gosta de ler, tudo o que lhe convém, tudo que lhe faz bem. Bate palma errada na roda de samba na pretensão de compassar, canta baixinho um sambinha antigo só pra ser mais uma voz. Só pra isso. Um sujeito desses que surge numa esquina, dá um gole de cachaça, observa a lua, ri dos bêbados transeuntes da madrugada e chora depois, sem motivo. Desconexo, sem alarde, sem intenção de errar e que tem a certeza que o baralho da cartomante não é mágico o suficiente para adivinhar a carta que o seu ceticismo embaralha na cabeça.
Tag Archive for 'poema'
Ó espantalho de botas de vinil!
Queres sempre azucrinar algo além de corvos.
Deixe o canário em paz, deixe ele cantar.
Pare com isso, sua essência é o mato,
O mato velho, isto sim.
Procure corvos para espantar,
Transforme seu tempo com corvos, não canários.
Diminua seu fardo, aprecie a música dos diferentes!
Espante apenas corvos para conservar o milharal!
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Bebo o leite da via láctea, trago a fumaça dos livros
Supernova literária caso Deus cochilar domingo
Madame S.
Via: Mulher Subjeto
É impressionante a assiduidade com que a minha sanidade quase se esvai.
Enquanto batalho comigo mesmo pra não enlouquecer.
A necessidade cotidiana invade a minha casa e me tira da cama.
Bagunça tudo, quebra, desorganiza, é um caos.
E vamos tentando sobreviver sem se respeitar, quanta ironia…
Ê vontade que só cresce
Ê vontade que não passa
Ai, meu Deus! Quem dera…
Que o mijo saísse em forma de fumaça.
Talvez nem o motorista conseguisse enxergar
Por causa da espessa neblina
E ninguém iria desconfiar
Que o cara de óculos transformava em fumaça, a urina.
E se desconfiassem
Com certeza daria uma enrolada
Apontaria e gritaria bem alto!
A culpa é do cano de descarga.
Fabiano Albergaria
Morte.
Hora derradeira,
saudação da vida,
sentimento de saudade
de bons e maus momentos,
de igual pra igual.
Onde tudo tem o mesmo sentido.
Busca eterna do viver.
Roda rodando.
Ciclo vicioso.
Sentido da vida sentido.
É verdade que não responde,
nem pergunta.
Mente.
Ignorância dos sábios,
simplicidade nos complexos
de dúvidas sem questões,
cheias de por quês.
Reviver no coração do próximo.
Adubo de planta,
de força.
Morrer sempre depois
de depois.
Lágrima de felicidade
da tristeza que me lembra.
Eu era cheio de paradigmas,
Mas quem não era?
Hoje sou mente aberta,
Mas eu não era.
Nunca fui dono da verdade,
Mas quem era?
Me sentia radical,
Mas isso eu era.
Me chamam de maluco,
Mas quem não é?
Acho que sou perfeito,
Mas eu não sou.
Tento ser altruísta,
Mas quem é?
Interpreto feio artista,
Mas isso eu sou.
Um dia serei responsável,
Mas quem não será?
Tenho que me tornar adulto,
Mas eu não serei.
Não sou muito coerente,
Mas quem será?
Posso não ser “O TAL”,
Mas eu serei.

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