Entre perus, castanhas, nozes e rabanadas há, também, aquele gosto meio amargo-melancólico das reuniões de fim de ano. Há a certeza da maioria que, um menino que nasceu fruto de uma inseminação artificial do espírito santo numa pobre mulher, seria a salvação de todos os tempos. Hoje, ainda, mais de 2000 anos depois, há muito desse fato no pouco conhecimento que maioria possui sobre as coisas. Um raciocínio que ruma grande parte dessas opiniões para algum lugar onde não se possa nem cogitar a dúvida dessa “veracidade” que o ser humano (ocidental) deva ter. A maioria, um conjunto, um grupo faz uma sociedade. E individualmente, o que há teu no natal? É permitido que haja uma discordância, algo em alguns que seja divergente da maioria? Paradoxalmente, sim e não. Pessoas podem expressar opiniões seguindo essa vertente contrária – a contra-mão da fé. Porém, aquele que expressa algo diferente da maioria, que profere opiniões democraticamente embasadas em outros fatos, não é bem visto. Simplesmente porque quebra o elo, porque tenta atribuir novas formas de pensamento ao paradigmático tema da origem da salvação do mundo. O “diferente”, de certa forma, é queimado na fogueira da credulidade daqueles que rogam a responsabilidade da incapacidade humana aos seres místicos salvadores. Compreensível, visto a desordem e violência vista a olhos nus nas grandes cidades do mundo. Se não podemos resolver tudo, Deus o fará. Repito: Compreensível. Mas é preciso que o respeito seja mútuo àqueles, que às suas maneiras, atribuem a responsabilidade humana ao humano. È menos covarde, porém mais doloroso de aceitar. Aqui se faz, aqui se paga, diz o ditado. Quanto a ti, tendo ou não tendo essa visão, é preciso que, ao menos, respeite o que há em mim e o que há teu no natal e no resto da vida.
Diogo Silveirinha
* Diogo Silveirinha é publicitário, amigo e ser pensante que escreve o blog Rasuras e Rascunhos.

















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