Rachí um menino, nascido em Agra, na Índia. Sempre teve muitos problemas de saúde. Vivia em hospitais e clínicas, mês sim, mês não. Rachí já teve todo tipo de doença que se pode imaginar: hérnia de disco, catapora, cancro, soluço de 3 meses, caganeira, mijo solto, perfuração de tímpano… só que a seqüela mais grave foi proveniente de uma surra que levou de uns militares quando adolescente, ficou cheio de tremedeira. Tomou muita porrada na cabeça, bicuda de coturno, cuspe no olho e dedo molhado na orelha… foi isso que deixou ele lerdo e não o haxixe que, sagradamente, fumava todo dia ao som de uma cítara bem tocada.
Rachí amava música. Gostava de dançar, fato que a tremedeira facilitava e o colocava em uma posição menos desconfortável porque ao som de uma música dançante sua tremedeira era sua aliada. Mal fazia esforço, fumava o haxixe e deixava apenas as ondas sonoras penetrarem seu corpo fazendo com que seu sistema nervoso debilitado fizesse o trabalho de se balançar. O ruim mesmo era pra escrever, tanto no caderno como no computador. Se acaso começasse a fazer uma redação, ao final parecia um caderno de uma criança de 6 anos, cheio de rabiscos, partes da folha rasgadas por forçar a ponta do lápis para a mão não escapar. Ficava puto de não ter controle de suas mãos em certas horas. Em outras era de bom grado que tremelicassem como, por exemplo, quando ia se masturbar. Desde que tomou aquela surra, Rachí não sentava mais na mão pra parecer que era outra pessoa… isso se chama economia de tempo.
O Sistema nervoso é bem curioso. Por levar o nervoso no nome, Rachí pensou que talvez o transe sagrado do haxixe o fizesse ser um sistema calmo. E assim, pela primeira vez, decidiu escrever depois de fumar. Suas mãos realmente ficavam mais tranqüilas… seu corpo não tremia tanto. Rachí pensava que como toda ação tem uma reação, sua tremedeira saía das mãos e ia para os confins da mente. Sua cabeça virava um turbilhão de idéias. Pensava mil coisas em mil segundos e isso dá uma média de 1 coisa por segundo. É coisa pra caralho! Mas foi assim que levou sua vida. Um dia, muito tempo depois, enquanto saía de um banheiro público, encontrou Sindhú, um amigo fanfarrão de infância,:
- Rachí! Quanto tempo!
- Sindhú! É você?
- Sou eu sim porra! Quanto tempo rapaz!
- Pois é, como anda?
- Eu ando bem e você? Anda tremendo ainda? - gargalhada -
- Eu?
- É! você porra! Até hoje me lembro de você na escola… tremia todo, atrapalhava até a aula com o barulho da cadeira batendo contra o chão e a parede. Rachí terremoto! - gargalhada - lembra?
- Lembro…
- Tinha também um lance que tu ia mijar e ficava igual a um chafariz! teve uma vez que conseguiu mijar o banheiro todo na hora do recreio!
- É…
- E quando tu apareceu com maior cheio de merda na sala? Tu cagou mal pra caralho e quando foi se limpar espalhou merda por toda a extensão das nádegas até um pouco das pernas e lombar… lembra da tua camisa cheia de merda, Rachí?
- Mais ou menos…
- E agora Rachí?
- Agora? … só cago chapado!





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