Falar sobre violência é uma coisa que não tem mais tanto impacto hoje em dia, são raras manifestações públicas espontâneas, como a do post abaixo, de indignação quando nos deparamos com algo relacionado à violência. Sim, o horror sempre fez parte da vida, isso nunca foi motivo para se desesperar, mas até que ponto? Há algum tempo eu acho que a sociedade anda muito “tranqüila” com a questão da violência. Tive a prova de que isto é verdade ontem à noite, acho que é um relato interessante:
Ontem peguei o trem que corta a cidade do Rio, eu estava na zona norte em direção à zona oeste, por volta das 22:30, o trem passava pelo subúrbio quando escutei um barulho estranho e vi todo mundo se abaixando, como uma legítima moradora do Rio de Janeiro, eu já havia passado por uma situação semelhante então logo entendi o que era e tratei de me abaixar. Os tiros duraram poucos segundos e foi então, quando eu e todo mundo já havia voltado pro lugar, que a situação me chamou atenção: como em todo lugar do mundo sempre tem um babaca, uns caras começaram a rir alto, fazendo troça da situação, a maioria das pessoas simplesmente se entreolhou com uma cara de bunda, acho que pra conferir se tinha alguém jorrando sangue por algum lugar, feita a checagem… pronto, tudo de volta ao normal, como se nada tivesse acontecido, a única pessoa do vagão que esboçou alguma reação foi o coroa que tava dormindo do meu lado antes dos tiros acontecerem: “Esses filhos da puta nem pra respeitar o trabalhador que tá voltando essa hora, cansado, do trabalho”. Acho que ele estava mais puto por ter sido acordado do que com o ocorrido em si, na estação seguinte já entrava um ambulante gritando “COCACOLAGUASKOL”, gente descendo, gente subindo, gente ouvindo música, lendo, olhando pro nada, conversando sobre qualquer assunto, menos sobre o ocorrido, o coroa já tinha voltado a dormir quando eu percebi o absurdo que estava vivendo. A indiferença era geral, absolutamente ninguém parecia preocupado, talvez comentassem com suas famílias quando chegassem em suas casas. Como, por exemplo, a mulher sentada na minha frente: “Mô, hoje no trem teve um tiroteio, na altura de Realengo, fui me abaixar e acabei sujando a calça, só agora eu tô vendo” o marido tenta prestar atenção … no Jornal da Globo …“Realengo?” …“É, Realengo” … “Põe na roupa suja que amanhã a Maria vem”.











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Já passei por esse tipo de situação de inércia do povo. Já vi corpo morto no chão e pessoas passando ao lado sem esboçar um sentimento. É bizarro como as pessoas se acostumam a viver mal…