Quando me fez o coração, Deus
do alto de Sua sapiência,
errou a matemática:
Dois e dois,
em mim,
são mil.
O avançado da idade pode ter-lhe fundido o juízo.
Ou foi arte de anjo menino, ao buscar por papéis brancos
e confeitos, junto à mesa do Senhor.
Pode, ainda, um diabinho treloso
ter-lhe sabotado a balança da medida das coisas,
Virado as réguas de ponta-cabeça e avesso.
Mas; , … .
A verdade é que Deus - bambambam da matemática humana,
(Pai da Mãe das ciências!)
Pós-doutor na engenharia das argilas e alquimia das órbitas,
andou trocando as bolas.
Deu-me um coração demasiadamente lelé.
Inadequado à giganteza dos desmandos da vida
Tudo nele é equivocado!
Há canos muito finos, outros muito largos;
Vez ou outra ocorre infiltração.
Suas vigas são desalinhadas,
E sobre o teto furado vêem-se as estrelas do céu da boca.
Eu vou é fazer um samba
intitulado Coração Lelé
Com chocalho de criança
sob peito de mulher
Esta foi mais uma obra-prima da Madame S.
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