Falando em nascimento e morte, parei para pensar em como as coisas são efêmeras.
Semana passada, minha avó veio toda serelepe me avisar uma coisa extraordinária: “Vem cá ver, nasceram as orquídeas!! Rápido, vem ver!!”. Sim, tinha que ser rápido. As florzinhas lindas e diferentes nascem e morrem no mesmo dia. De manhã elas estão mais belas que nunca, dá tanto gosto de ver que eu até as fotografei. E à tardinha elas já começam a murchar, até que quando chega a noite elas morrem e caem. Triste, dá peninha…
Mas se tratam apenas de flores. E quando falamos de pessoas? Às vezes eu confesso que eu me assusto com essas questões de morte e vida. E olha que eu sou adepta ao espiritismo, onde acreditamos em vida após a morte etc. Acho às vezes que acredito nisso apenas para me confortar, afinal, para que viveríamos? Para que criaríamos laços, nos apegaríamos? Para virarmos pó ou adubo no final, apenas? Não é justo.
As relações humanas são os maiores exemplos de como tudo é passageiro. Um dia nos consideramos melhor amigo de alguém. No outro essa pessoa pode morrer ou a “vida” pode te afastar, e vocês seguem caminhos tão diferentes que uma relação tão próxima pode nem existir mais. E o primeiro namorado ou namorada? Um dia a sua vida faz parte da vida do outro, você se doa por completo àquela pessoa. E no outro você já está namorando outra pessoa e descobre outro sentimento totalmente diverso. Tá, pode até demorar um pouco pra isso acontecer, mas às vezes é bem rápido mesmo!! Assim como os sentimentos, a vida também pode ir embora assim, num piscar de olhos.
O budismo diz que podemos ter uma vida após a morte e que podemos inclusive voltar em forma de qualquer ser vivo. Eu disse qualquer ser vivo. Sim, você pode já ter sido um leão, um cachorro, um passarinho ou até mesmo uma planta! Eu acredito que fazemos parte desta energia molecular, mas imagina voltar apenas por um dia, assim como a orquideazinha que nasceu aqui em casa outro dia? Ah, seria muito pouco tempo para me redimir dos pecados erros, para aprender um pouco mais, para realizar coisas novas… E planta além de tudo nem pode se relacionar. Ah, isso seria muito chato. Imagina ser uma árvore? Viver lá parada, sozinha ou em bando (uma floresta), e do nada ser derrubada por um lenhador e não poder fazer nada? Tô viajando muito? Ou alguém já pensou por esse ponto de vista também?
Só de pensar que todos um dia irão morrer, me dá um aperto no peito. Hoje conversando com minha vózinha, pensei que deve ser muito ruim pra um idoso pensar em tudo o que viveu e começar a se acostumar com a idéia de não pertencer mais a este plano. E se tudo mesmo virar pó? E se não existir esse lance de vida após a morte? E se eu voltar em forma de árvore? Ah, se tivermos escolha, escolheria algo mais divertido. Ser árvore deve ser muito tedioso.



























Sei que é impossível… Mas se desse pra perguntarmos pra árvore se ela quer virar gente creio que a resposta seria negativa… Acredito que a árvore está mais próxima de Deus que nós, isso se existir um, pelo fato de não possuírem o dito livre-arbítrio elas não tem a possibilidade de errar… E quem não erra… vai para o “céu”, ou não…
Sem contar que nós fazemos parte da natureza mas a renegamos, na maioria das vezes, sempre envoltos na empáfia de sermos o topo da cadeida alimentar. Somo sim o topo! Mas somos tão o topo que nos devoramos lentamente durante toda a vida. Sugamos e somos sugados pelo sistema “moderno e inteligente” de vida que criamos… Talvez as árvores consigam se comunicar, mas pra quê palavras se elas têm as raízes cravadas na terra, no mesmo lugar em que nasceram, nunca mudaram, nunca viraram as costas para o lugar que lhes deu a vida e foram embora esbravejando… Elas nasceram lá e lá ficarão até o fim das suas vidas.
Ou não…
Vendo de fora eu também não queria ser uma árvore… Mas vai que é legal!
Muito bom o seu comentário… Penso assim porque sou humana, não tenho a vivência de uma árvore para ter esta visão. Já pensou que você já pode ter sido um jacarandá em uma vida passada, Albergaria? rs
Gostei do que você falou sobre sermos o topo da cadeia alimentar, e acabamos nos matando e matando o nosso meio… É preciso muita mudança…
Não acredito em vida após a morte, e essa idéia de voltar em corpo de árvore ou outro animal já é demais pra mim, se bem que eu adoraria ser uma arraia (acho linda), ou uma flor de lótus; mas, voltando à questão da morte, realmente é angustiante pensar no fim, mas não vejo isso como uma coisa ruim, acho que serve pra pensarmos o quão é importante viver a vida ao máximo, e aproveitar cada minuto, por mais tedioso que seja, como se estivessemos nos despedindo do mundo para sempre.