Nos dias atuais vivemos em uma sociedade manipulada feito fantoches, comandada pela Indústria Cultural através dos meios de comunicação de massa. Indústria Cultural essa que está sempre induzindo a massa para a busca de uma felicidade instantânea, impondo um sentimento de angústia no indivíduo para ter o que o torna aceito no meio comum. Um grande jogo de seduções onde nunca se encontra a satisfação absoluta, apenas temporária, pois sempre está em busca do “novo”.
A angústia criada pela Indústria Cultural é o lobo disfarçado de cordeiro, uma vez que te dá um produto batido disfarçado de novo. Mesmo a novela recentemente estreada, o programa de rádio como novos locutores e a nova revista que lançou não passam de novas caras com o velho conteúdo. Sempre em busca da manipulação da massa, a Indústria Cultural renova a cara de perfis cansados com muita maquiagem e propagandas.
Uma máscara formosa e encantadora é vestida pela ardilosa Indústria Cultural, alimentando o imaginário comum da massa e subvertendo-os em escravos de programas e produtos. Programas e produtos contínuos aviando um consciente comum vendido, alheado. Travestindo a estética e com uma ética dúbia.
A Indústria Cultural lambe os beiços quando se trata de programas de TV. O Jornal Nacional é um prato cheio. Reportagens indutoras que estimulam idéias na massa e concluem da forma mais adequada, pode-se dizer vantajosa, para a Indústria Cultural sem ponderar os fatos como haveria de ser. Seguida muitas vezes de uma notícia diferente e mais “interessante”.
Um exemplo claro de reportagem indutora foi sobre uma rave chamada Aldeia (26/11/2006) onde 3 pessoas foram internadas e 45 receberam atendimento no local por excesso de consumo de bebida alcoólica, alarmando o fato do consumo e venda de drogas no local e apontando o uso dessas como o motivo principal dos atendimentos. Enquanto nada falaram de uma micareta onde dezenas de pessoas foram internadas e mais de cem receberam atendimentos no local que sucedeu uma semana depois apenas (li a notícia, mas não consigo achar referência novamente). Criando uma aversão às raves no imaginário coletivo por causa do alto consumo de drogas lícitas e ilícitas, sendo esse o mesmo maior motivo dos atendimentos nas micaretas, não mencionadas, é claro. Desde que se venda uma grande parcela da cultura musical brasileira para concurso de loiras do Tcham, músicas de fácil produção banhadas com mulheres gostosas, sensuais e com dança promíscua e um lugar onde a ética e a estética são julgadas diferentes no normal. Tudo bem. O preço vale à pena. O resultado é a alienação musical da cultural. É fato que em qualquer festa existe a circulação de drogas.
Esse não é o único exemplo de reportagem indutora. Quem não se lembra de um assaltante que seqüestrou um ônibus (174) para roubar alguns reais. O sensacionalismo dessa manchete virou sensação de críticas. Botando o estado da segurança pública no Rio de Janeiro na berlinda, mais uma vez. Mas quando a governadora corta quase 6 milhões da UERJ ninguém da mídia de massa toca no assunto. Todos sabem que segurança e educação caminham lado a lado, porém o interessante para a mídia é sensacionalismo, e fazer sensacionalismo com quem “dá as cartas” custa mais caro.
Vivemos em uma ditadura, a ditadura da Indústria Cultural. Seu maior aliado para a alienação da sociedade são os meios de comunicação de massa. Uma ditadura onde temos liberdade de expressão que não sabemos usar ou achamos que sabemos.
“Sou totalmente dependente da sociedade em que vivo. Portanto terei que submeter-me as suas prescrições. E nunca sou responsável por atos que executo sob uma imposição irreprimível.” - Einstein, Albert - Como vejo o mundo - pág. 17



















A liberdade de expressão foi conquistada por grandes pessoas que foram torturadas ou morreram por ela, mas, tenho certeza que não o fariam se soubessem o que faríamos com ela depois.
Tenho certeza que as pessoas são induzidas a consumirem os produtos da Indústria Cultural, mas sempre tivemos opção. A ditadura, neste caso, não se empoe pela força física, mas dentro de cada pessoa que escolhe concordar com ela.
O que mais me incomoda é a alta taxa de redundância sempre presente nas peças comunicacionais. E como as crianças de hoje já nascem em frente aos televisores, que são utilizados como babás alienadoras, já podemos imaginar como elas serão no futuro, né? O resultado está aí, vemos crianças sem aparência de criança, sem palavras e gestos infantis, cada vez mais idiotizadas e com gostos bizarros. Há cada vez menos informação e mais entropia, tudo já vem mastigadinho para quem quiser engolir. E a maioria quer, já que é muito fácil.
Importante texto e muito bons os comentários. E triste saber que isso só vai mudar quando o ensino no nosso país for muito, mas muito mas valorizado e quando houver muito mas investimentos nessa área, enquanto isso não houver. “Nunca serão”.