Desde o ano passado vê-se uma onda favorável à eleição de mulheres para cargos políticos relevantes. Longe de ser mais um “papinho feminista”, o que os fatos têm mostrado é uma mudança que acontece na sociedade pós-moderna e se reflete tanto no mercado de trabalho quanto na política.
Cristina Kirchner é outro nome que tem sido muito comentado. A primeira dama da Argentina é a candidata a presidência com maiores chances de se eleger, e tem como principal rival nas urnas outra mulher, Elisa Carrió. Atualmente na América do Sul o melhor exemplo da solidificação desta tendência é a atual presidente do Chile, a socialista Michelle Bachelet, que se elegeu no ano passado.
Também em 2006, outras duas mulheres ganharam visibilidade por ocuparem, imeditamente, cargos políticos respeitáveis, Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria, e Angela Merkel, chanceler alemã. Igual atenção também teve Ségolène Royal, candidata socialista à Presidência da França, que, apesar de não ter sido eleita, foi um grande destaque. Há, ainda, a professora Heloísa Helena, sobre a qual lembramos bem. Outro nome recente é o da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.
Poderia discorrer longamente sobre a história, passando por Cleópatra, Eva Perón, Alexandrina Vitória, entre muitas outras que marcaram a história política do mundo, mas prefiro não me distanciar do principal foco deste assunto, a ascendência vertiginosa das mulheres na política durante estes últimos anos, e o vácuo que ainda existe para a total seriedade e credibilidade depositada neste assunto.
Existe uma disposição quase natural a associar estas mulheres a temas que caberiam mais a celebridades, modelos, atrizes, etc. Um exemplo disto é o caso de Hilary Clinton, do partido Democrata, senadora do estado de Nova Iorque, que será candidata à presidência de seu país em 2008, e jamais deixará de ser denominada como a mulher do ex-presidente Bill Clinton. Assim como ela, Cristina Kirchner não consegue se desligar do nome de seu marido, Néstor Kirchner, mesmo tendo entrado na política antes dele.
Ainda sobre Cristina, podemos sobressaltar outra questão, que também se aplica aos candidatos homens, só que em menor escala, que é a questão da imagem. A revista Época de 08 de outubro trouxe uma reportagem sobre a candidata em que, além do histórico político dela, apresenta uma crítica sobre o figurino da Sra. Kirchner, a qual, segundo a revista, “ainda pode sofisticar seu estilo e evitar alguns excessos”.
Este tipo de abordagem por parte da imprensa pode atrapalhar o que poderia ser uma mudança de olhar sobre o assunto “mulher”. A imagem e a beleza feminina deveriam ser um complemento aquilo que de fato importa, ou seja, o que as mulheres podem ter a dizer. Como eu expus antes, não pretendo que isto seja visto como um discurso feminista, apesar de não ser contra a tal discurso, mas que sirva como um convite para um olhar sob uma nova expectativa. Certamente existem mulheres que optam por lucrarem com a sua imagem, e eu não vejo nenhum problema nisto, mas as que se posicionam como personagens da história do mundo, merecem uma chance de serem vistas como tais.











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