
Para início de conversa leiam o desabafo e a matéria que contém a carta do policial Roger Franchini.
Semana passada estava discutindo esse ocorrido em minha igreja uma mesa de bar com amigos. Discutíamos a posição do policial Franchini em resposta ao desabafo do Luciano Huck, que teve seu rolex roubado. O ponto central do assunto foi o policial ter dito saber onde estava o tal relógio e não ter agido, pois não ganha o suficiente para arriscar a sua vida para dar uma de herói, tarefa que precisaria desempenhar para recuperar a dignidade o objeto perdido do apresentador.
Primeiro, o meu desabafo. Ora senhor apresentador coitado, enfia o rolex no olho do seu cu. Antes de vir falar merda em carta desabafo (ridícula!) vá prestar depoimento na polícia, que nem isso a senhoria teve a capacidade de fazer porque tinha que ir pra Nova Iorque, de acordo com o delegado-assistente João Costa em artigo do Extra. Está cansado, como nós “extraterrestres”, de tamanha injustiça!? Faça pelo menos a sua parte. E não me venha com xurumelas falando do filme Tropa de Elite. Quer mesmo que desçam o cacete e espanquem até a morte os favelados para achar seu precioso relógio, como na obra de “ficção” do José Padilha!? Não sei qual é pior, se é chamar o filme de “ficção”, querer atitudes anti humanitárias em prol de seu bel-prazer ou ter estimulado a pirataria do cinema brasileiro, já que o filme só seria lançado oficialmente dias depois de sua carta.
Depois de ler o Luciano unluck Huck choramingando por justiça em seu desabafo, o policial Franchini aproveitou a rebarba para emitir seu desabafo também, onde fala saber onde está o objeto em questão. Se sabe, por que não tomou alguma atitude? Não acho que deva subir o morro e arriscar a vida para recuperar o relógio, não sozinho. Deveria sim, é tomar alguma atitude, sua função é essa, proteger. Diz no site da polícia militar de São Paulo:
O exercício da Polícia ostensiva requer ampla atuação, desde uma simples informação até o gerenciamento de ocorrências de grande vulto.
Friso o simples informação. É muito fácil ser coitado. Difícil é tomar uma atitude e ter o direito de cobrar por injustiças. Policial não ganha pra para fazer o que faz, concordo. Mas se acomodar e deixar de prover a paz para receber seu dinheiro corrupto com “bicos” é demais para aceitar quieto. O certo seria a abordagem crítica à atual estrutura policial em vez desse suspiro de indignação. Uma coisa é certa, se não está contente com essa situação, bote a boca no trombone e a mão na massa.
Aproveitem e passem no Cocadaboa. O Mr Manson escreveu uma ótima crítica ao desabafo do Luciano Huck (aqui!).
Beralzir, 22, Estudante de Comunicação e condiscípulo do Estrada de Maria. Já foi assaltado diversas vezes e todas recorreu à polícia e não a Folha de São Paulo, e também paga imposto.
Imagem do blog Rasura Livre

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A matéria de capa da Época desta semana tem como título “Ele merecia ser roubado?” e a foto do Luciano Huck. Eu não li a matéria, apenas vi a capa ao passar em frente a uma banca de jornais ontem. Que título infeliz, ele merecia ser roubado? Não! Mas quem merece ser roubado? Nenhum de nós, nem ricos, nem pobres, nem qualquer classe média. Mas tenho que concordar com a Época (como não tenho assinatura e não comprei a revista, fui dar uma olhadinha no site). O Luciano não pode ser culpado por andar com um relógio caro nas ruas de São Paulo.
Também tenho visto as pessoas querendo inocentar os bandidos, quero ver alguém inocentar quando for roubado também. Não quero defender o apresentador, ele não é melhor que ninguém para merecer um título como o da Época. Afinal, quantos brasileiros já foram assaltados, vítimas de bala perdida, seqüestrados e tal? Enfim, quero mais comentários aqui sobre mais esta polêmica…
Eu li a reportegem da Época (meu namorado é assinante), e, como não poderia deixar de ser, a revista puxou um pouco de brasa pra sardinha do Huck. O interessante da reportagem é que logo no início há quem defenda o Luciano, como o antropólogo Roberto da Matta, alegando que soa como uma certa INVEJA, falar mal dele e dizer que, pelo fato dele ser rico, ele não poderia ficar indgnado com o roubo; e ainda conidera que “A reação ao Huck é um exemplo de NEOFASCISMO” (grifo meu). Mas também há quem defenda o outro lado, como o músico Zeca Baleiro que alegou não ver ninguem indignado com as chacinas no Capão Redondo.
A discursão deixou de ser só sobre o apresentador e passou a ser entre os interesses da elite (em tropa) versus os da população, que, segundo a reportagem, se irrita com o discurso do Huck por puro ódio, ou inveja, à elite.
Será que a elite não tem o direito a se indgnar com a violência?
Será que eles só se indginam quando a vivenciam?
Será que, ao andar com um relógio com o qual poderia comprar várias casas por onde passou, Luciano não sabia os riscos que corria?
Não teria ele a liberdade de andar com o relógio que quisesse?
Se o policial ganhasse o mesmo que o apresentador, trocaria tiros com o bandido para recuperar o objeto do furto?
Falta conhecimento de causa à “elite brasileira”. A violência é muito mais presente na vida dos brasileiros do que aquilo que é mostrado na tv. E não se resolve com o contraposto que é a violência desumana dos policiais do BOPE.
É muito cômodo pedir a atuação repressiva da polícia quando não se mora na favela. Queria ver o Luciano tendo a sua casa invadida no meio da noite, sendo torturado e forçado a dar informações que se disser, vai acabar incendiado no meio de um monte de pneus.
A indgn(ação) é sempre bem vinda, mas em quanto tivermos mauricinhos chorando toda vez que vivenciarem a realidade, policiais justificando-se ao invés de trbalhar, bandidos em liberdade, pessoas sem empregos justos, políticos preocupados em reeleição, e a população assistindo, passivamente, tudo pela TV, teremos de conviver com a violência nossa de cada dia.
Amém.
Estou melhorando…segunda vez por aqui…
Concordo com a Fernandinha no que se diz respeito a reclamação dos ricos quando se vêem acometidos pelos rompantes de “liberdade de atitude” dos assaltantes que passeiam nas ruas da nossa cidade. Mas infelizmente, vivemos num país onde o pobre é tratado com desprezo e seu único momento de destaque é quando aparecem na Central da Periferia (programa apresentado pela Regina Case na TV Globo), como macacos de circo, falando como é legal morar na favela, etc. Isto para que a elite assista de camarote como os ‘favelados’ se comportam, como se vestem, como se divertem no seu habitat considerado por muitos entre os que assistem como inóspito.
E conseqüentemente vivendo numa sociedade assim absolutamente excludente, é óbvio que o grito do Luciano Huck contra seu roubo, seria ouvido. Como assim roubaram o rolex de R$48.000,00 do apresentador da Globo?!
Acho que todos nós temos o direito de ir e vir, a liberdade de andarmos como quisermos, sendo com relógios de cifras exorbitantes ou com o piratão comprado na Uruguaiana. Mas é difícil passear com pertences de 2 ou três dígitos e ver pessoas dormindo ao relento e mendigando um pedaço de pão na rua. Mas isto está virando costume, normal. Se a classe média acha normal, quiçá os ricos, que como a charge mostra “descobrem o Brasil e a pólvora”, somente quando são assaltados, etc.
Porém por outro lado o grito de socorro do Huck veio a calhar. Como havia dito anteriormente, somos uma sociedade excludente e a reação do apresentador foi positiva no sentido de chamar atenção das autoridades para o problema que já conhecemos de longa data.
Já que os pobres reles mortais, que são assaltados viram estatística e não reportagem de primeira capa da revista Época, pelo menos agora a discussão sobre a violência urbana irá ganhar o destaque que merece.
Infelizmente somos o país às avessas. Funcionamos quando acontece algo na minoria, ao invés de se fazer algo quando acontece com a maioria da população.
Aí gente, esta é nova: O Luciano Huck vai ganhar Rolex novo!!!
Confiram!
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u338650.shtml