Tropa da Elite?

Tropa de Elite

Uma cópia pirata rodou as ruas da cidade, não se sabe se por sabotagem ou boa estratégia, e em poucos dias uma polêmica tomou conta das mesas de bar e das primeiras páginas dos principais jornais do país: “Tropa de Elite - mocinho ou vilão”? O debate agitou os ânimos e incitou muitos a escreverem sobre o assunto. Mas o que, afinal, comove a tantos? Qual o verdadeiro estímulo para a polêmica?

As rodas de conversa parecem ter se dividido sempre em dois grupos combatentes. Os principais são os “simpatizantes da canabis” contra os “caretas”. Arnaldo Bloch acusou em artigo no Globo: “Na escala de valores invertidos de Tropa de Elite, fumar maconha é muito pior do que assassinato a sangue frio, tortura e execução à queima-roupa.” Wagner Moura, em resposta, falou sobre pessoas que largaram as drogas para não colaborar o tráfico, em menção à mensagem passada pelo filme. Na mesa do bar, a maioria tenta de alguma forma defender suas opções de vida, e justificar seu papel dentro dessa sociedade caótica que salta aos olhos do público durante o Tropa.

Há também os que confiam na ação da polícia e os desconfiados. De um lado, alguns se queixam de que o filme exalta a ação do Bope, enquanto outros defendem que as cenas de violência exibidas desmerecem a ação do grupo. Mas quem realmente se mobilizou ao ver estas cenas? Hoje, no Globo, Artur Xexéo diz que o que vem chocando mais na exibição dos filmes é a ação da platéia, que aplaude cada tortura em traficante, cada morte de bandido.

Faca na caveiraDe longe, observando as telas e conversando entre bebidas e cigarros, a violência virou piada. “Eu visto uniforme preto”, “não atira na cara para não estragar o velório”.. frases de cenas críticas pronunciadas entre risos viram nick de MSN. Enquanto isso, jornais internacionais, como o Guardian (Clique aqui para ler), denunciam as “cenas chocantes” da violência e tortura de civis e policiais no filme. Os brasileiros deixaram de achar isso chocante. Somos muito diferentes dos europeus.

Há os que preferem não ver o filme, e incentivam que esta realidade fique debaixo dos panos porque incomoda demais. Hoje ficamos sabendo que o Tropa de Elite não representará o Brasil no Oscar. Aqui no jornal, choveram cartas de leitores “aliviados”, dizendo que não é esta a realidade que temos de exportar para o mundo. O que devemos mostrar, então? Os dramas de uma ditadura do passado, enquanto vivemos o horror de outras novas?

No centro das discussões e debates que animam os telespectadores, a principal questão que nos motiva, apesar de escondermos, é “Espectadores do Tropa de Elite, mocinhos ou vilões?”. Defendemos uma ou outra posição na proteção distante das mesas de bar, mas no fundo todo mundo pensa em defender a sua classe e a sua falta de culpa. E qual é a nossa culpa?

 

Texto escrito pela minha garbosa amiga Cris do Devaneios Líricos

Nascimento - Wagner Moura

Leitura indispensável sobre a polêmica

do filme Tropa de Elite:

Artigo do Bloch

Texto do Wagner Moura

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13 Responses to “Tropa da Elite?”


  1. 1 Raphael Martins

    Comentando o ótimo texto da Cris, estou abismado como a minha excitação nas cenas de violência. A minha e a de muitos amigos meus. Violência virou coisa banal, eu queria me chocar(juro que queria) mas eu acho engraçado. Vou fazer oq???

  2. 2 Beralzir

    Realmente a excitação vem quando vemos cenas de “justiça” sendo feitas no filme. Mas que fique claro que a somos carentes de segurança. Mesmo o ato mais covarde contra quem nos amedronta é bem vindo, pois estamos em um beco, e o empurrão é a única saída.
    Arnaldo Bloch pega pesado quando pergunta se a Tropa é fascista. Pelo jeito ele não sabe exatamente o que é fascismo. Como o Wagner Moura diz em sua resposta, esse filme está ai pra ser polêmico, assim criamos debates e discussões a respeito das leis que a Tropa tem que obedecer, pois a Tropa não impõe suas próprias leis, ela age de acordo com as leis já existentes. Essas leis ultrapassadas tem que ser discutidas, a culpa da violência não é do boy de classe média que compra seu bagulho, aliás, todas as classes compram o mesmo bagulho, o problema é da lei que não diferencia o que prejudica e o que beneficia. A legalização das drogas seria um enorme baque no combate contra o tráfico.
    Não concordo com a imagem de herói que o Nascimento passa para alguns, já que, como disse, ele age de forma vigorosa em cima de legislações infundadas, e assim, acaba por descarregar toda sua frustração no cumprimento dessas leis.
    Estou excitado e arrepiado mesmo é com a qualidade crítica do texto que o Wagner Moura produziu. Faço de suas palavras minhas.
    É uma pena o filme não ser o candidato ao Oscar. É um ótimo filme e poderia provocar um debate realmente construtivo se abrangesse todo o mundo, forçando o governo a tomar medidas cabíveis para, pelo menos, contornar a atual situação. Esse ministério da cultura de merda, tem medo de expor sua realidade atual e fica se escondendo no passado. Tinha é que botar pra fuder mesmo. Só uma revolução pra resolver esta estagnação caótica atual em que vivemos.

  3. 3 Fernandinha Braga

    Acho lastimável que, após assistirem o filme, algumas pessoas tenham chegado a conclusão que os responsáveis pelo tráfico e pela violência sejam os usuários. O tráfico de drogas no Rio de Janeiro acontece como um sitema político-social, que precisa de mais de um lado para funcionar. A verdadeira repressão ao tráfico de drogas não existe porque não é interessante para a políca, que é corrupta, mas também não é interessante para a população que a polícia não seja corrupta. Independente de ser usuário ou não, ninguém quer ter o carro apreendido só porque o documento tá uma semana atrazado, ou ficar duas horas parado no trânsito enquanto rola uma blitz de busca e apreenssão, e é este tipo de coisa que move o sistema de corrupção no Rio. A população não só consente com a corrupção, como também a prefere.

    Quanto à questão do usuário ser o culpado da história, imaginem se os traficantes não tiverem mais como sobreviver do tráfico, alguém acha que eles vão simplesmente evaporar da sociedade e tudo vai ficar lindo, ou se submeterem a empregos em que vão ter de trabalhar dez horas por dia pra receper um salário mínimo? Porra nenhuma! Vão virar assaltantes, porque não tem lugar na sociedade pra eles, não tem muita saída. Quando da PM reforçou a repressão ao tráfico pro pam, no ano passado, o número de assaltos aumentou proporcionalmente. Infeslizmente, o mesmo pode se dizer da legalização. O rio de janeiro não está preparado pra legalização, seria um caos pior do que se é hoje.

    Acho que cada uma deve refletir se queremos mesmo a repressão ao tráfico, se queremos mesmo uma polícia honesta e se estamos de fato preparados para uma possível legalização, antes de pensarmos em defender qualque bandeira, temos de refletir dentro do que é a nossa história, que por sinal é muito diferente da história da Holanda.

    Para terem uma outra referência, não deixem de assitir o documentário “Notícias de uma guerra particular” do diretor João Moreira Salles.

  4. 4 becarol

    Concordo com a Fernanda, seria um caos se a droga fosse legalizada. A Polícia ainda tem que se preparar muito para agüentar um fardo desses, já que os bandidos viveriam de quê, senão do tráfico? A sociedade também ainda não está preparada para aceitar que o uso de drogas se torne lícito, em alguns países a maconha por exemplo é descriminalizada, mas ainda não está na hora para isso. Mas e agora, quando é que alguém se sacrificará para que não haja mais os grandes problemas gerados pelo tráfico? Realmente, a Academia também não estaria preparada para o Tropa de Elite. Cao Hamburger tem grandes chances neste próximo Oscar, todos já estão acostumados com o roteiro de “O ano em que meus pais saíram de férias”.

  5. 5 Albergaria

    Bom… Que o Brasil não está preparado para a legalização isso é fato! Mas penso por um lado diferente. Sou daqueles que acha que vale a pena sacrificar-se no presente para lucrar no futuro, assim como tudo que nos é enfiado guela a baixo, como MPs, emendas, impostos… Nós, brasileiros, somos a população do costume… Me digam: Com quantas coisas ABSURDAS estão acostumados a viver TODOS OS DIAS? Muitas né? Então… Se a legalização das drogas viesse agora! Nesse instante! Nossa geração sofreria sim! Mas quem sabe nossa prole teria uma vida mais amena? Ou nossos netos… Bisnetos… O fato é que um dia a população se adequaria, como se adequa a tudo, à legalização também…
    Nós roeríamos o osso para as gerações futuras comerem o filé.
    Pensem nisso.

  6. 6 Albergaria

    Eu também acho que o fascista que Bloch fez menção foi mal colocado…

  7. 7 Alexandre Magno

    Tem uma crítica muito boa do Tropa de Elite no site http://www.oicult.blogspot.com

    Faço minhas as palavras da Adriana Facina. Um abraço!

  8. 8 Beralzir

    O link direto para o post que o Alexandre sitou é esse
    http://oicult.blogspot.com/2007/09/tropa-da-elite-ou-matou-na-favela-e-foi.html
    Muito bom, vale a pena ler. Porém não concorde com algumas coisas

  9. 9 StomP

    E ninguém é preso!

  10. 10 thiago (cachaça)

    Para a briga ficar boa, pergunto: Quais benefícios o filme traz para a sociedade?

  11. 11 Beralzir

    Respondendo o Thiago (Cachaça)…
    A ampla discussão sobre a droga financiar o tráfico. Desde que o filme começou estamos observando uma gama de debates sobre o usuário ser ou não ser o financiador direto da violência. Tem se visto também que a grande maioria das pessoas, pelo menos as dos meu convívio, apoiam a legalização das drogas consideradas leves para diminuir o poder do tráfico, uma vez que elas são as que estão em maior destaque.
    Bom eu defendo a legalização perante qualquer um e participo de passeatas. Quem sabe futuramente não possa contribuir mais para esse fim.

  12. 12 Falo

    Eu te amoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

  1. 1 Maconha Medicinal « Autoestrada de Maria

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