O que uma inocente saída num sábado à noite pode trazer pra vida de uma pessoa…
- Oi amiga, tudo bem? Bora pra Lapa hoje?
- É, pode ser… Tô muito animada pra badalação não, mas vamos…
- Ih, pode parar com esse baixo-astral! Hoje a noite vai ser nossa, sai pra lá, coisa ruim!
- Os sábados têm sido um saco, tô sem emprego e não me sinto bem saindo direto, quero fazer algo produtivo! Ir pra Lapa não é algo produtivo, Lu!
- Garota, você viaja demais. Claro que uma night pode ser produtiva. Quantas vezes nos divertimos juntas? Além do mais, faz muito tempo que não saímos assim, descompromissadas, sempre à procura de algo que não sabemos o que é…
- É isso que me preocupa. Sair sem um objetivo. Eu sou muito solta, sempre saio sem meta, sem rumo, sem saber o que fazer.
- E você sempre se diverte e se surpreende, não é mesmo?
- É.
- Então “fechou”. Não vai ficar em casa e disperdiçar essa noite linda hoje não. Já viu a lua que tá lá fora?
- Não.
- Então dá uma olhada. Quando eu estiver saindo de casa te ligarei, vou me arrumar agora. Beijos.
- Tá bom. Beijo.
Já na Mem de Sá, em frente aos Arcos, um amigo da faculdade da Luiza liga pra ela e marca de a gente se encontrar num tal depósito que vende a cerveja mais barata. Claro, um depósito de bebidas geralmente vende as bebidas mais em conta que no bar. Mas eu nunca imaginei que poderia existir um depósito de bebidas no coração da Lapa, ali bem do lado do Ernesto. Chegamos ao local combinado, e o amigo da Lu estava com mais dois rapazes, muito interessantes por sinal. Interessante à primeira vista, óbvio. Porque naquele dia eu não tava muito disposta a conhecer ninguém “melhor”. Estava chata, poderia ser TPM, talvez.
Cerveja vai, cerveja vem, e o papo rola solto, até a idéia de montarmos uma banda surgiu. A energia tava boa, então…
- Meninas, a gente tá indo pra uma festa rock’n roll ali no Casarão Cultural dos Arcos. Vocês vão fazer o que?
- Nós não sabemos muito bem ainda pra onde vamos, mas eu sempre quis ir nessa festa, rola todo sábado e uma amiga minha já foi e disse que é ótima.
- Ai, não sei, to com pouco dinheiro…
- Ih, tá tranqüilo, a gente conhece o organizador, temos 3 convites que dão direito a entrada com acompanhante.
- Vamos então?? Por mim a gente vai.
- Ai, tá bom, vamos logo antes que eu desista.
- Nossa, olha o tamanho da fila, parece ser boa essa festa hein!
- É, to com uma impressão que hoje a noite vai ser E-X-C-E-L-E-N-T-E!
Passados uns vinte minutos de fila, entramos na tal festa de rock. As músicas já me agradavam desde o período sacal da fila, dava pra ouvir da rua. Olha só, tá tocando The Doors! Adoro The Doors! Uma seqüência de Beatles, The Cure, Janis Joplin, Led Zepellin, The Clash e até Johnny Cash se seguiu. Daí por diante, só alegria.
Caipirinha dose dupla até uma hora da manhã. Perfeito. Uma caipirinha só já tava de bom grado, até que um sinal sonoro muuuito alto ecoa durante um clássico do Nirvana. Os barmans sobem na imensa bancada do bar e começam a dançar de um jeito que deveria ser sensual. Eu, já no auge da euforia, abro a boca e um dos rapazes jorra um tanto de alguma coisa alcoólica. Argh! Tem gosto de côco, mas não sei se é de côco não. Logo em seguida a Lu também prova da bebidinha da felicidade.
Meu celular começa a vibrar! É o Harry, ele ta lá fora querendo entrar, mas não sabe se a festa “vale a pena”. Bora lá fora pra convencer ele de entrar! No caminho sou parada por duas meninas, que dizem me conhecer da fila e me oferecem vodka com limão em troca de uma conversa. Eu lá quero conversa com essas duas, quero é encontrar o meu amigo que tá lá fora querendo entrar. Tenho mais uma prova de que a festa vai ser boa para ele, tem muita mulher dando sopa aqui dentro.
O celular vibra novamente, é uma mensagem do Harry, ele vai pra sinuca da Lapa mesmo. Droga, queria tanto encontrá-lo… Oba, Mutantes! Agora é que vai ser demais, começou o rock nacional. “Eu vou sabotar! Você vai se amarraaaar!” foi tão animador quanto o “I wanna hold your hand” do início da festa. Havia uma única diferença: o nível de álcool no sangue de quem vos fala era muito menor. Resultado: tem um antiácido aí?

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Agora comparem o lado masculino com o lado feminino de uma saída para balada e respondam.
Quando tempo cada um levou para sair mesmo!?